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One of Us é um documentário original da Netflix, que teve estreia esse ano de 2017 e é aquele documentário que embora seja triste, todo mundo deveria assistir.


O documentário conta a história de 3 ex membros de uma comunidade judaica ultraortodoxa hassídica dos Estados Unidos, em como eram suas vidas dentro e como virou um inferno depois que eles saíram. É um documentário um pouco pesado, não na produção dele, mas sim na história de vida desses três ex membros e a direção conseguiu abordar com todo o respeito a dor dos protagonistas. 

Eu nem sei ao certo como abordar o assunto, porque é muito complicado. Quando faz parte de uma comunidade judaica ultraortodoxa hassídica, você basicamente só tem aquele mundo para viver, vive em um mundo limitado, cheio de regras, onde as pessoas não podem estudar em uma escola sem ser judaica, não podem ler livros, assistir filmes, ouvir músicas ou ter amigos que eles consideram seculares, sua vida literalmente gira em torno da comunidade. Se você está dentro da comunidade você tem tudo, você tem amigos, você tem família, você tem uma profissão. Se você ficar doente, eles irão te estender a mão de todas as formas, seja com ajuda doméstica, com alimentação, cuidados, e até mesmo dinheiro. Mas se você resolve deixar a comunidade, você perde tudo. Você paga um preço altíssimo, e muitas das vezes vem a tristeza, ansiedade, depressão e muitos outros problemas que vocês verão no decorrer do documentário.

Temos a história do Ari, que é um jovem de aproximadamente 17 ou 18 anos que acreditava estar vivendo uma mentira dentro da comunidade e resolveu sair. Quando ele resolveu sair da comunidade, ele perdeu a família e amigos. Ele não sabia absolutamente nada da vida, ele não sabia mexer em um computador, não sabia como usar o Google. E não estamos falando dos anos 80, 90, não, estamos falando de 2014, 2015, 2016 em diante. Ele mal sabia os princípios da matemática, porque a vida inteira ele basicamente só aprendeu coisas relacionadas ao judaísmo.


A história do Luzer é um cara de 20 e poucos anos, que sonha em ser ator, que não pode nem se quer ver os filhos por ter abandonado a comunidade. Ele nos mostra em como a comunidade parou no tempo, em como ela te impossibilita de ter qualquer possibilidade de uma vida produtiva fora dela.


A história Etty foi a mais chocante para mim, embora as outras também seja duras e complicadas. Ela é uma mulher que sofreu muito durante a vida, principalmente quando foi "obrigada" a casar aos 19 anos com um marido violento que a agredia de todas as formas possíveis, e antes de completar 32 anos ela já estava no seu sétimo filho, e isso não aconteceu por escolha dela. E infelizmente, a busca dela por liberdade só prova que ela não tem chance alguma diante do sistema judaico.


Infelizmente, esses judeus ainda estão parados no tempo e afetam demais vidas que querem progredir, que querem prosperar. É triste ver pessoas querendo lutar para uma vida melhor sem sucesso nenhum.
Quando eu terminei de assistir o documentário, a minha vontade era de abraçar todo mundo que sofreu por conta dessa comunidade hassídica, mas infelizmente não posso.
Em NY são cerca de 300 mil membros em uma comunidade ultraortodoxa fechada, altamente rigorosa, que ditam regras em todos os aspectos da sua vida, com seu próprio sistema privado de educação, uma comunidade completamente misógina e machista, tomada pelo silêncio que acaba escondendo erros gravíssimos, até mesmo crimes.


Bom, gente. É isso. Assistam o documentário, porque eu acho sim que ele é importante demais.
Beijão e até a próxima.

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